Bandas de ‘rock pesado’ evangelizam em bares e casas noturnas
| Mauro Frasson Grupos cristãos, como o Miracle, apostam em estilos musicais alternativos para atrair fiéis |
Curitiba - Quando se pensa em uma banda evangélica, difícil imaginar que seu estilo musical seja o heavy metal (metal pesado). Mas, a cada dia, surgem grupos, na Capital, dispostos a mostrar que é possível conciliar mensagens cristãs com o som pesado e distorcido das guitarras. O mais curioso é que essas bandas – de metal e outros estilos como hard core e rock – têm conseguido atrair uma legião de fãs não, necessariamente, adeptos à religião.
Os cinco integrantes da banda Miracle – a maioria filhos de pastores – descobriram a fórmula para ‘‘evangelizar’’ em locais em que a igreja, de forma tradicional, não teria acesso, como bares e casas noturnas.
Para garantir esse espaço, além do estilo musical – o metal –, a banda resolveu adotar visual mais próximo ao dos metaleiros – brincos, tatuagens, cabelos compridos e roupa escura – para se ‘‘infiltrar’’ entre eles.
O baterista da Miracle, Mike Rodrigo Vieira, 25 anos, diz que a escolha pelo rock pesado se deu pensando no público que se pretendia atingir, já que os jovens metaleiros são mal vistos pela vertente mais conservadora da igreja. ‘‘Jesus nunca definiu um estilo musical ou de se vestir. Jesus nunca se preocupou com estereótipos’’, destacou o músico e jornalista.
A escolha pelo metal é, no mínimo, curiosa, considerando que bandas famosas, precursoras do estilo, traziam temas sombrios, alguns relacionados ao demônio, nas letras de suas músicas. Vieira, no entanto, rebate essa associação, defendendo que a origem do rock está ligada ao blues e este era ‘‘comandado’’ por cantores evangélicos.
‘‘O Elvis mesmo gravou oito álbuns evangélicos. Então, desde a sua raiz, o rock trazia mensagens cristãs’’, reforçou. ‘‘Foi nas décadas de 70 e 80 que começaram a surgir bandas como Black Sabbath e Iron Maden, que queriam falar o oposto’’, acrescentou.
Vieira conta que o rock sempre foi o estilo musical preferido dos integrantes da banda formada em 2000. Como a igreja não dava abertura para o grupo mostrar seu trabalho, eles decidiram ‘‘ir para fora’’.
Participaram de um festival de bandas gospel, conquistando o primeiro lugar e, a partir daí, começaram a surgir convites para outros festivais, onde participavam também bandas ‘‘seculares’’ – terminologia usada pelos evangélicos para definir bandas não cristãs.
E era, justamente, o que os Miracle queriam: ‘‘a gente tinha necessidade de falar de Deus para quem não era da igreja’’, disse Vieira.
O problema é que, nem sempre, o grupo era bem aceito. ‘‘Quando convidavam a gente para tocar, não sabiam que éramos evangélicos’’, lembrou Vieira, admitindo que alguns metaleiros mais ‘‘radicais’’ não aprovam a idéia de se falar de Jesus em um show de rock.
A banda aprendeu, também, a ‘‘sentir o clima’’ do lugar em que está se apresentando para saber se terão abertura para passar suas mensagens cristãs. Em casas noturnas e bares, a estratégia é se misturar ao público, fazendo um ‘‘corpo-a-corpo’’ depois do show.
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Banda faz sucesso no exterior Curitiba
Quatro anos depois de iniciar seu trabalho, a Miracle participou de seu primeiro festival fora do Brasil: o Campa Metal Festival, em Assunção, no Paraguai, onde a maioria das bandas era cristã, do estilo death metal - som mais pesado. Em 2006, fizeram uma turnê pela América Latina, passando pela Argentina, Bolívia, Peru, Equador e, novamente, o Paraguai.
Também em 2007, o grupo ficou no topo da lista dos downloads do site australiano www.mp3.com.au, com o maior número de músicas baixadas pelos internautas.
A repercussão no ''estrangeiro'' rendeu à Miracle um convite para participar do ''Steiger International'' - encontro que reúne bandas de vários países, na Nova Zelândia. Eles partem em março e ficarão lá durante três meses.
É uma espécie de aperfeiçoamento dos grupos musicais, dirigido por David Pierce, líder da banda norte-americana No Longer, que é famosa, principalmente, na Europa.
Depois de um mês e meio de treinamento, os grupos se apresentam em shows para o público neozelandês. A Miracle será a única banda brasileira a participar do encontro.
Mike Vieira divide os palcos com o irmão e guitarrista Filipe Vieira, 24 anos, os primos Alexandre Keiji Oshima, 24 anos, que é tecladista, e Bruno Assumpção, 24 anos, baixista, e o compositor e vocal Alisson Oliveira, 23 anos, único que não faz parte da família.
Os cinco têm profissões paralelas, mas pensam em se dedicar, exclusivamente, à banda. Por enquanto, essa é só uma intenção, já que o grupo não cobra cachê pelos shows, apenas as despesas de viagem. (A.L.)
LETRA E TRADUÇÃO
From the Beggining, to the End
(Alysson Oliveira/Banda Miracle)
In the Beggining God: Let there be the Light!
And the first shadow came
So the battle has started
And we are the ones who will fight
The serpent has risen
And the life never had peace
But to stop all that, the Son has come
Total reason to don’t cry
Chorus:
Jesus, Jesus, te Son of the light, Redemption
Jesus, Jesus, te Son of the light, Salvation
Do Principio até o Fim
No princÍpio disse Deus haja Luz
E a primeira sombra se formou
Uma batalha então começou
E somos nós que vamos guerrear
A serpente se levantou
E a vida nunca teve paz
Mas como um basta, veio o Filho
Total razão pra não chorar
Refrão:
Jesus, Jesus, o filho da luz, Redenção
Jesus, Jesus, o filho da luz, Salvação
Fonte: Folha de Londrina
Andréa Lombardo
Equipe da FOLHA
Para garantir esse espaço, além do estilo musical – o metal –, a banda resolveu adotar visual mais próximo ao dos metaleiros – brincos, tatuagens, cabelos compridos e roupa escura – para se ‘‘infiltrar’’ entre eles.
O baterista da Miracle, Mike Rodrigo Vieira, 25 anos, diz que a escolha pelo rock pesado se deu pensando no público que se pretendia atingir, já que os jovens metaleiros são mal vistos pela vertente mais conservadora da igreja. ‘‘Jesus nunca definiu um estilo musical ou de se vestir. Jesus nunca se preocupou com estereótipos’’, destacou o músico e jornalista.
A escolha pelo metal é, no mínimo, curiosa, considerando que bandas famosas, precursoras do estilo, traziam temas sombrios, alguns relacionados ao demônio, nas letras de suas músicas. Vieira, no entanto, rebate essa associação, defendendo que a origem do rock está ligada ao blues e este era ‘‘comandado’’ por cantores evangélicos.
‘‘O Elvis mesmo gravou oito álbuns evangélicos. Então, desde a sua raiz, o rock trazia mensagens cristãs’’, reforçou. ‘‘Foi nas décadas de 70 e 80 que começaram a surgir bandas como Black Sabbath e Iron Maden, que queriam falar o oposto’’, acrescentou.
Vieira conta que o rock sempre foi o estilo musical preferido dos integrantes da banda formada em 2000. Como a igreja não dava abertura para o grupo mostrar seu trabalho, eles decidiram ‘‘ir para fora’’.
Participaram de um festival de bandas gospel, conquistando o primeiro lugar e, a partir daí, começaram a surgir convites para outros festivais, onde participavam também bandas ‘‘seculares’’ – terminologia usada pelos evangélicos para definir bandas não cristãs.
E era, justamente, o que os Miracle queriam: ‘‘a gente tinha necessidade de falar de Deus para quem não era da igreja’’, disse Vieira.
O problema é que, nem sempre, o grupo era bem aceito. ‘‘Quando convidavam a gente para tocar, não sabiam que éramos evangélicos’’, lembrou Vieira, admitindo que alguns metaleiros mais ‘‘radicais’’ não aprovam a idéia de se falar de Jesus em um show de rock.
A banda aprendeu, também, a ‘‘sentir o clima’’ do lugar em que está se apresentando para saber se terão abertura para passar suas mensagens cristãs. Em casas noturnas e bares, a estratégia é se misturar ao público, fazendo um ‘‘corpo-a-corpo’’ depois do show.
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Banda faz sucesso no exterior Curitiba
Quatro anos depois de iniciar seu trabalho, a Miracle participou de seu primeiro festival fora do Brasil: o Campa Metal Festival, em Assunção, no Paraguai, onde a maioria das bandas era cristã, do estilo death metal - som mais pesado. Em 2006, fizeram uma turnê pela América Latina, passando pela Argentina, Bolívia, Peru, Equador e, novamente, o Paraguai.
O baterista da Miracle, Mike Rodrigo Vieira, diz que, animada com o sucesso, a banda começou a divulgar seu trabalho em outros países com a distribuição de seus CD's. Como as letras são em inglês, o grupo não teve dificuldade em emplacar suas músicas longe do Brasil.
Também em 2007, o grupo ficou no topo da lista dos downloads do site australiano www.mp3.com.au, com o maior número de músicas baixadas pelos internautas.
A repercussão no ''estrangeiro'' rendeu à Miracle um convite para participar do ''Steiger International'' - encontro que reúne bandas de vários países, na Nova Zelândia. Eles partem em março e ficarão lá durante três meses.
É uma espécie de aperfeiçoamento dos grupos musicais, dirigido por David Pierce, líder da banda norte-americana No Longer, que é famosa, principalmente, na Europa.
Depois de um mês e meio de treinamento, os grupos se apresentam em shows para o público neozelandês. A Miracle será a única banda brasileira a participar do encontro.
Mike Vieira divide os palcos com o irmão e guitarrista Filipe Vieira, 24 anos, os primos Alexandre Keiji Oshima, 24 anos, que é tecladista, e Bruno Assumpção, 24 anos, baixista, e o compositor e vocal Alisson Oliveira, 23 anos, único que não faz parte da família.
Os cinco têm profissões paralelas, mas pensam em se dedicar, exclusivamente, à banda. Por enquanto, essa é só uma intenção, já que o grupo não cobra cachê pelos shows, apenas as despesas de viagem. (A.L.)
LETRA E TRADUÇÃO
From the Beggining, to the End
(Alysson Oliveira/Banda Miracle)
In the Beggining God: Let there be the Light!
And the first shadow came
So the battle has started
And we are the ones who will fight
The serpent has risen
And the life never had peace
But to stop all that, the Son has come
Total reason to don’t cry
Chorus:
Jesus, Jesus, te Son of the light, Redemption
Jesus, Jesus, te Son of the light, Salvation
Do Principio até o Fim
No princÍpio disse Deus haja Luz
E a primeira sombra se formou
Uma batalha então começou
E somos nós que vamos guerrear
A serpente se levantou
E a vida nunca teve paz
Mas como um basta, veio o Filho
Total razão pra não chorar
Refrão:
Jesus, Jesus, o filho da luz, Redenção
Jesus, Jesus, o filho da luz, Salvação
Fonte: Folha de Londrina
Andréa Lombardo
Equipe da FOLHA
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